sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Carta aberta para Renato Aragão (o nosso Didi).

Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi.


Quinta, 23 de agosto de 2007.

Querido Didi,
há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para
melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari
P.S .: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada: vou rasgá-la antes de abrir.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Divulgação.

Tenho entre os meus amigos, no Orkut, o jornalista Wagner Guerra. Ele é profissional atuando na área policial.

Há muito tempo tenho-o como meu adicionado e ele faz um trabalho muito bonito em sua comunidade: Jornalistas em Pauta. Confira no link abaixo:

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14303881

Diariamente ele posta vagas dentro da área de comunicação, fala sobre os profissionais que estão atuando, sobre o que rola na imprensa, enfim, uma comunidade voltada àqueles que se interessam pela área. Admiro-o muito por sua dedicação. Acho que chega a ser uma forma de prestação de serviços às pessoas para que, das informações lá postadas, consigam beneficios, como por exemplo, emprego ou estágio.

Por isso mesmo, não pude recusar a um pedido seu pois, além de tudo, trata-se de algo relacionado à área.

Ele escreve sobre o trabalho dos policiais e a rotina destes na caça e busca aos criminosos. Embora tenha fortes imagens (desaconselhável para aqueles que se impressionam facilmente), é um trabalho de dedicação ímpar.

Como ele me pediu a divulgação do site, deixo aqui o link e, também, ao lado, vocês poderão, sempre que quiserem, acompanhar o blog Modus Operandi:

http://www.wguerra.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Carreiras - Não atropele a gramática ao falar. (Reinaldo Polito) - 20/08/2007.

Você fala "fazem três anos" ou "faz três anos"? "Éramos em cinco" ou "Éramos cinco"?

Pois é, deslizes primários como esses podem jogar por terra uma carreira profissional construída durante uma vida inteira com muito sacrifício.

Vale a pena dar uma olhada em algumas questões gramaticais que podem ser aperfeiçoadas até com facilidade.Não sou professor de português.

Não me sinto qualificado para exercer essa atividade tão complexa, difícil e desafiante.

Por outro lado, por sorte, tenho grandes amigos que são craques no ensino da nossa língua, como o professor Pasquale Cipro Neto, um dos mais competentes mestres nessa matéria em todo o país e a professora Edna Barian Perrotti, autora do excelente "Superdicas para Escrever Bem Diferentes Tipos de Texto".

Sempre que tenho dúvidas recorro a eles. Tive bons professores de português e aprendi muito também com os revisores dos meus livros. Tenho todas as revisões bem guardadas. Quando recebia meus originais "rabiscados" pela revisão da editora, mandava encadernar para usar como fonte de consulta.

Como já escrevi 15 livros, deu para formar uma boa biblioteca com esse material. É muito difícil escrever um texto sem dar pelo menos uma escorregadela. De vez em quando, escapa uma daquelas bem caprichadas. Esses deslizes quase nunca passam despercebidos, pois conto também com a ajuda dos leitores, que sempre me alertam para as incorreções nos artigos.Talvez, no final, você me mande um e-mail perguntando: "Polito, esse erro que encontrei no seu texto não faz parte da 'coleção de livros que você mandou encadernar'"?

Tomara que esse fato não ocorra. Mas, se o erro aparecer, vamos rir juntos. Entretanto, vou deixar a preocupação gramatical com textos escritos para os meus amigos professores de português e perambular por uma praia que me é mais familiar: a importância das regras gramaticais na comunicação oral. Você poderia questionar: Mas as regras gramaticais não são as mesmas para falar e para escrever? Sim. E não.

Citando novamente o professor Pasquale, a comparação que ele faz da língua com as roupas do nosso armário é ótima para esclarecer a importância da adequação da nossa linguagem. Temos roupas diferentes para as mais diversas ocasiões, e usamos uma ou outra dependendo da circunstância. Com a língua não é diferente.

Se tivermos de apresentar um projeto acadêmico, a linguagem deverá ser própria para a academia. Se fizermos uma exposição na empresa, os termos do mundo corporativo serão os mais apropriados. Se estivermos conversando com um grupo de amigos, a comunicação solta, do cotidiano, sem muita preocupação com acertos ou desvios gramaticais é a mais indicada. Podemos ter o mesmo raciocínio também quando nos referimos à gramática para a comunicação escrita e para a oral.

Se cometermos um ou outro pecado lingüístico na comunicação falada, provavelmente não seremos encaminhados para o cadafalso.

Entretanto, um deslize na comunicação escrita não será visto com a mesma benevolência, já que houve condições para ler, reler e providenciar as correções. Mesmo assim, descuidos grosseiros na comunicação oral podem ser um desastre para a imagem e a reputação de uma pessoa.

É um sinal evidente da sua falta de formação e de preparo. Uma indicação explícita de que houve uma lacuna no seu processo de educação. Há uma corrente de estudiosos que pensa de forma diferente. Julgam que essa preocupação não passa de perfumaria. Não concordo. Mas, como são autoridades nesse tema, preciso mencionar esse ângulo distinto da questão.

Ao longo dos anos, notei um fato curioso com a comunicação dos meus alunos: alguns negligenciam as regras gramaticais quando falam, mas não quando escrevem. O nervosismo, a pressão de estar diante do público, a ansiedade são fatores que tiram a tranqüilidade e podem predispor ao erro.

Com base nessas observações, colecionei os deslizes gramaticais mais freqüentes na comunicação oral. Como são incorreções muito evidentes e facilmente identificadas, não custa nada fazer uma avaliação para constatar se você, até por descuido, não está cometendo alguns desses deslizes.

1."Fazem muitos anos" que este erro ocupa o primeiro lugar no pódio.
Não é conveniente, por exemplo, dizer "fazem três anos, fazem muitos anos".A explicação para essa questão gramatical é simples. Quando o verbo "fazer" se refere a tempo ou indica fenômenos da natureza deve permanecer na terceira pessoa do singular, porque é impessoal, não tem sujeito e, por isso, não pode ser flexionado. Portanto, mais apropriado seria dizer: Faz três anos que ocupo o cargo de diretor na empresa. Faz oito meses que parei de fumar.A mesma regra pode ser aplicada para o verbo haver quando usado no sentido de existir. Por exemplo: Havia manchas em todas as roupas, e não "haviam manchas em todas as roupas". Houve comentários favoráveis à proposta, e não "houveram".

2. A segunda posição vai para haja visto.
De acordo com as minhas anotações, o segundo deslize gramatical de maior incidência na comunicação oral é o uso de "haja visto" no lugar de "haja vista".A expressão haja vista não varia, pois sua formação ocorre com a terceira pessoa do imperativo do verbo haver acrescida de vista, um substantivo feminino. Exemplo: Haja vista as notícias de corrupção estampadas nos jornais.

3. Mim tem presença garantida no pódio.
Explique melhor "para mim entender". O terceiro deslize gramatical mais freqüente na comunicação oral possui uma peculiaridade bastante curiosa: a maioria que desconsidera essa regra sabe como deveria falar, mas o hábito é tão automatizado que quando as pessoas se dão conta já escapou. É mais fácil entender do que pôr em prática. O "eu" deve ser usado antes do verbo porque nesse caso ele funciona como sujeito do infinitivo. Só se usa o "mim" quando não houver um verbo depois do "para", como neste exemplo: Ele trouxe a roupa para mim.Também em casos em que se completa o sentido de adjetivos, como difícil e impossível, o certo é para mim, porque já não haverá sujeito. Está difícil para mim aceitar esse acordo com os fornecedores. É quase impossível para mim manter esse nível de produção.Como eu disse, essa é uma questão delicada. Se você for uma das vítimas dela, arregace as mangas para uma longa contenda, pois dá trabalho se livrar de um erro que participa naturalmente da comunicação.

4. A pessoa fica "meia chateada" quando comete esse erro.
E é para ficar mesmo, pois se há uma incorreção que tira uma pessoa do pedestal é usar meia no lugar de meio quando se referir a um adjetivo.Nesse caso, quando equivale a mais ou menos, um pouco, meio é um advérbio e por isso não pode variar. Portanto, esse erro de gramática deixa a imagem da pessoa meio prejudicada, e não meia prejudicada.Lembre-se de que meia só é usado quando equivale a metade: meia garrafa, meia carga...

5. Quando ele vir ao seu encontro vai ser uma tristeza!
Esse erro puxa o tapete das pessoas o tempo todo. É impressionante como confundem o verbo vir com o verbo ver no futuro do subjuntivo (precedido de se ou quando).Para não errar, lembre-se de que o verbo vir exige a forma vier. "Quando ele vier para o trabalho..." - e não: Quando ele vir... "Se os jogadores vierem para o treino..." - e não: Se os jogadores virem...Por outro lado, o verbo ver exige a forma vir. Assim sendo, devemos usar: "Quando a professora vir o aluno" - e não: "Quando a professora ver o aluno". "Se os consultores virem o diagnóstico" - e não: "Se os consultores verem..."

6. Há diferença entre "ir de encontro a" e "ir ao encontro de"
É bastante comum confundirem o significado de "ir ao encontro de" com o de "ir de encontro a". "Ir ao encontro de" significa estar a favor, concordar, comungar da mesma opinião. Enquanto "ir de encontro a" significa estar contra, discordar, não partilhar a mesma opinião.Por esse motivo, diga: As decisões foram ao encontro dos nossos interesses (a favor).As medidas governamentais não podem ir de encontro às necessidades da população (contra).

7. Muitas incorreções gramaticais, menas essa.
Essa não dá nem para comentar. Em todo caso, lá vai uma explicação rápida e resumida -menos é palavra invariável, portanto não existe a palavra menas, por mais feminino que seja o substantivo.

8. Aqui no final, algumas rapidinhas que podem ser perigosas.

Há cinco anos atrás é redundância.
Ou você usa há cinco anos, ou cinco anos atrás, mas não há cinco anos atrás.

Um plus a mais também.
Plus é um advérbio de origem latina que significa mais. Portanto, pare nele, sem o a mais.

Não troque nenhum por qualquer.
Não use qualquer em orações negativas no lugar de nenhum. Assim, diga: Não temos nenhuma chance de perdoá-lo, e não: Não temos qualquer chance de perdoá-lo.

Apesar de ser título de livro famoso, ainda continuam dizendo éramos em seis no lugar de éramos seis. Não use a preposição "em" entre o verbo e o numeral. Diga: Éramos cinco, íamos quatro no trem. E não: Éramos em cinco, íamos em quatro no trem.

Ele está a par ou ao par?
As informações são diferentes. A par significa informado, ciente, e é uma expressão usada com o verbo estar. Por exemplo: Não estava a par do que ocorrera. Ao par, por sua vez, significa título ou moeda do mesmo valor. Por exemplo: Com as últimas medidas tomadas pelos ministros, o câmbio ficará ao par.

E, só para lembrar, devemos pronunciar:Canhota (nhó), clitóris (tó), fluido (úi), gratuito (úi), ibero (bé), ínterim (ín), Nobel (bél), rubrica (brí), ruim (ím).

Deixei aqui apenas algumas pílulas de uma lista que cabe confortavelmente em um livro.

O objetivo deste texto foi o de chamar a atenção para o cuidado que devemos ter com algumas questões gramaticais que poderiam ser corrigidas com um pouco de observação e prática. Se você não comete nenhum desses erros, parabéns. Agora, se percebeu que precisa de aprimoramento, comece já a estudar. É um aprendizado valioso para a vida toda.

Reinaldo Polito
é mestre em ciências da comunicação, palestrante e professor de expressão verbal. Escreveu 15 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares.

Site: http://www.polito.com.br/

e-mail: polito@reinaldopolito.com.br

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Dinheiro honesto e dinheiro sujo.

Hoje, lendo ao noticiário da net, senti asco ao ver que, tem pessoas com muito mas muito dinheiro mesmo, às custas de sofrimento de familiares que têm usuários de droga.

Graças a Deus, mesmo que tarde, ainda assim, essas pessoas são descobertas.

A notícia é essa:

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL84913-5605,00.html

E eu, estou aqui, labutando, dando duro, pra conseguir comprar algo como um apartamento de 40m2 ou então, uma casinha simples. Mas tenho a certeza que terei o maior orgulho dessa minha futura casa, meu lar, conquistado com dinheiro honesto. E vou poder dormir tranqüila pois sei que mereci cada cm2 da casa.


Fico indignada com tanta maldade, tanta ambição, tanta crueldade. Por que? Nunca vou entender.