domingo, 26 de setembro de 2010

Leonardo Boff.

Mandei este e-mail àquelas pessoas que passaram meses me inundando com e-mails falando mal do Lula e da Dilma. Aí me senti no direito de responder pois recebi um texto do sr. Leonardo Boff e que traduz exatamente o que está acontecendo de fato:

"Recebi e vou re-encaminhar a todas as pessoas que me mandaram inúmeros e-mails falando mal de Lula e Dilma, o texto do sr. Leonardo Boff, mas antes vou explicar o porquê. Eu sou apolítica pela seguinte razão: Todos os políticos são corruptos. Uns mais, outros menos. Todos vão acabar se aliando para governar o país. Quer queiram ou não, inclusive a Marina (que fala fala e não diz nada). Eu me lembro perfeitamente de 1.990 da qual fui vítima. Do Plano Collor. Do desemprego. Da minha vida toda sonhada ir para o espaço. Quase dois anos de desemprego. Este foi o meu saldo daquele Plano. Deixei de me formar em publicidade (no último ano) e fiquei um ano e meio amargando o desemprego e, só consegui novo emprego, depois de um concurso público para a Telesp Celular (aonde trabalhei honestamente e mais do que nunca) em que comecei ganhando 4 vezes menos que no último emprego (que perdi no Plano Collor). Eu me lembro perfeitamente do sr. Fernando Henrique Cardoso chamando os aposentados de vagabundos sendo que eu trabalho desde os 16 anos de idade. Trabalhei justos 30 anos. Contribuí mês a mês, com o suor do meu rosto e, aos 49 anos de idade, me aposentei com um rombo de 40% a menos por causa do fator previdenciário, originário da cabecinha do mesmo sr. Fernando Henrique Cardoso, que disse que os aposentados aos 48 anos de idade, eram vagabundos. Conclusão: tive que voltar ao mercado de trabalho para complementar o que ficou faltando. O que me foi roubado. Ora, se um indivíduo começa a trabalhar aos 25 anos de idade (mulher) e completa 30 anos de contribuição, vai começar a receber a aposentadoria aos 55. E, por que essa pessoa tem direito a uma aposentadoria integral e quem se aposenta aos 48 não? Por que essa pessoa de 55 vai receber aposentadoria por menos tempo? Oras, mas eu trabalhei os mesmíssimos 30 anos só que comecei muito mais jovem. E com muito sacrifício. Este mesmo senhor Fernando Henrique Cardoso, em março de 1994, foi à Argentina para estudar o Plano Cavallo e, na volta, jurou de pés juntos, que não "dolarizaria" o nosso dinheiro. Passados uns meses, fomos apresentados ao Real. Ou seja, mentiroso ao cubo. O real deu certo? Sim, deu sim. Mas o fato dele ter dolarizado o real não significa nada. O país só mudou a sua condição depois, em 2 governos de Lula. Ele é semi-analfabeto? Me desculpem os inconformados mas isso é puro preconceito. Até os países mais desenvolvidos se renderam a ele. O que significa isso? Que muitas pessoas o reconhecem como líder, vindo da classe operária, um vencedor. Tá, ele é perdulário? Gastam-se rios de dinheiro no governo dele? E daí? Já se esqueceram dos outros governos? Foram melhores que ele? Hã? Me digam? Me provem o contrário. Todos os governos agem igual ou pior. Já leram a Revolução dos bichos? Leiam! O que eu percebo é que as pessoas são preconceituosas, morrem de vergonha por ele ser simplório. Para a elite, a classe A, a 'inteligência' do país, a classe intelectual, é que o sr. Fernando Henrique era dr., professor, classudo, tinha uma esposa à altura. E daí? Pensem grande: um país cujos pobres sem condições de compra, sem emprego, hoje possuem renda e gastam, compram, são pessoas que geram emprego pois se há consumo, há produção, se há produção, há emprego, se há emprego, há consumo, ou seja, é um círculo vicioso aonde o pobre que trabalha e que recebe, consome. Aliás, um assalariado é, ao menos, 4 pessoas consumindo. Um desempregado são, 4 pessoas a menos, consumindo. O sr. Serra quer aumentar o salário mínimo a R$ 600,00 sem nenhum embasamento. Só apelando por puro desespero. Por isso ele não ganha. E de onde o governo vai tirar dinheiro para colocar a Previdência em pé e ainda pagar a diferença do atual salário mínimo para o que ele pretende adotar quando e se eleito? Pois é! Eu nem sei em quem votar. Eu só sei que, oportunistas estão rodeando todos os partidos e, hoje, temos como candidatos, até Juca Chaves, Tiririca, os irmãos KLB, Netinho, Moacyr Franco, a Mulher Pêra, e tantos outros pseudo- políticos. Se vou anular o voto? Não sei! Só sei de uma coisa: me vieram com informações que 51% de votos nulos, anulariam a eleição. E isso também não é verdade. No máximo, um voto de protesto. Conforme já divulgado pelo Tribunal eleitoral. Portanto, não me interessa o que pensa cada um sobre cada candidato. Eu leio, eu sei, eu penso e, principalmente, tenho memória. Abaixo, um texto do Leonardo Boff e que acho que diz tudo sobre o preconceito das classes que se acham superiores e que tem vergonha de gente pobre que se sobressai. Infelizmente.Não vou gostar nem mais nem menos de cada um que me mandou esses mails todos. Só que me sinto no direito de responder também. Por isso não gosto de discussões políticas. Já basta a imprensa nos inundar de informações. Cabe a cada um digerir o que nos é despejado. Beijos! Amo vc independente da sua posição política viu?

Ruth


Twitter: www.twitter.com/japagirlsp
-
A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma
Compartilhar/Salvar
24.09.2010
Por Leonardo Boff*Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros. *Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.Fonte: Agência Carta Maior.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Minha tireóide.

Depois de uma longa ausência, cá estou.

Tantas coisas aconteceram!

Bom, no momento, encontro-me em casa, em repouso, após uma cirurgia de tireoidectomia total, em função de um nódulo cujo diagnóstico fora carcinoma papilífero.

Estranho, até então, nunca tinha ouvido falar nisso. Até que a coisa acontece com a gente. Do nada! De uma consulta de rotina. A sorte minha é que guardo todos os exames médicos e, quando fui à endócrino disposta a enfrentar mais uma dieta para emagrecer, acabei levando todos os exames que fiz há uns 12 anos atrás, quando tive tireoidite de Hashimoto. Alguns médicos pecam pela omissão. Mas eu também pequei pela não curiosidade. À época, se eu soubesse que esse diagnóstico me levaria ao hipotireoidismo e a esse câncer, teria me cuidado mais, teria feito exames periódicos.

Enfim, mas já foi. O nódulo era pequeno: 0,5cm. Mas era carcinoma mesmo.

Agora estou tendo que enfrentar a falta de hormônios para repor o que está faltando por causa da tireoidectomia pois ainda terei que enfrentar uma dieta pobre em iodo para poder passar por outro exame: PCI (exame de corpo inteiro para saber se sobrou alguma célula cancerosa). Se não, vida normal. Se sim, ainda terei radioiodoterapia.

Bom, deixa eu sofrer só um pouquinho de cada vez.

Estranho, quando me internei, tudo me amedrontava. Desde o enfermeiro me levando na maca, da enfermeira me dando um comprimido para me amortecer, do anestesista me escarneando pela minha dor da agulhada (esse gosta da coisa viu?), do momento em que apaguei e no outro em que já acordei na sala de recuperação sentindo uma dor terrível na garganta e uma dor de cabeça chata. Fiquei reclamando e me deram mais entorpecentes, eu acho. Pois voltei a dormir. E quando acordei, a máquina apitava e apitava. Como era uma sala coletiva, achava que eram de outros pacientes. Mas não, era por minha causa que estava apitando. E as enfermeiras berrando para que eu respirasse mais fundo porque o oxigênio não estava chegando e eu quase nem respirava mas não sentia nada, absolutamente nada. Até que decidiram enfiar o cateter no nariz. Argh! Não adiantou eu protestar.

De volta ao quarto, pedi para deixarem eu ir ao banheiro antes de me conectarem àquele monte de sacos de soro. Foram categóricas: não. Que eu teria que usar comadre. Aí foi o fim. Eu implorei: por favoooorrrr, nããããão. Elas se sensibilizaram e me seguraram pois acharam que eu ia cair por causa da anestesia.Mas me deixaram ir ao toilete .... ah bão!

Já bastava aquela roupa sem nada por baixo que me deixou exposta! Ainda bem que a vergonha que passei foi inconsciente. Não faço a mínima idéia de quanto tempo levou a cirurgia e nem quem me cortou.

Como é bom a gente ter um convênio decente. Fico pensando que, todos mas todos mesmo, deveriam ter direito a esse tratamento digno que tive no hospital e mesmo no laboratório Fleury (o melhor que eu conheci).

Quase tive uma crise de riso quando me trouxeram o que comer: torradas? biscoito? como? mal conseguia engolir água! Mas acho que aquele soro deve ser mágico pois não senti fome em nenhum momento.

Pois é! Esta foi a minha aventura num hospital. Minha primeira internação. Minha primeira grande cirurgia.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Viver.

Hoje de manhã, conversando com um senhor, com seus quase 80 anos, na verdade, estávamos jogando conversa fora e, acabamos, fatalmente entrando no assunto idade.

Se você pensar bem, eu já vivi mais que a metade da minha vida (espero que seja só a metade pois pretendo chegar bem aos 100 - digo isso pra todos - é só vencer o meu câncerzinho básico na tireóide e não tenho mais nada - saudável até) e ainda me sinto uma pessoa imperfeita em muitos sentidos, tenho sentimentos mundanos, às vezes, sou um tanto otimista mas, me permito alguns deslizes momentâneos (quem não os tem?, choro ainda por coisas pequenas, não consigo me acertar em meus devaneios, enfim, sou imperfeita ainda).

Então, preciso de tempo para conseguir chegar, por exemplo, numa pessoa que tenha me feito chorar e dizer: "Olha, pode ficar tranquilo pois já esqueci viu? Não fique triste e nem fique remoendo pois já passou" ou então chegar em outra, que eu tenha magoado e dizer, com todas as letras e sentimento: "Perdão, me desculpe ... não quero que você fique triste comigo. Errei. Espero que você não guarde mágoas. Vou procurar melhorar!" e, assim vamos guardando em nossos baús, tantas e tantas pequenas coisas, deslizes e, assim, vamos moldando nossa personalidade.

Mas, e se tivéssemos como voltar? Se assim fosse, nem tudo estaria perdido e reencontraríamos os nossos desafetos, ou a quem tenhamos magoado, de uma forma ou outra e teríamos mudado o rumo das coisas ou, então, ao menos diminuído os estragos.

Se tivéssemos até os 80 (número que exemplifico em decorrência desse senhor)para vivermos tudo o que tivermos que viver e, daí em diante, começarmos a contagem regressiva, 80, 79, 78 ... até voltarmos ao esperma e ao óvulo, então, aí sim, teríamos como acertar, já sabendo dos nossos erros e já experientes e não mais imaturos como dantes. Loucura isso não é?

Quem dera fosse assim. Acho que são delírios de quem assistiu àquele filme com o Brad Pitt: o estranho caso de Benjamin não sei das quantas.

Bão, é isso! E acabo de receber a tão aguardada ligação: minhas férias acabam domingo. 2a-feira já tenho expediente normal na CESP, na área financeira, tomando posse da vaga que conquistei no último concurso: secretária.

Aí já viu né? Próximo post pode levar um mês ou um ano. Quem sabe. Tudo vai depender da inspiração e quem possa me inspirar. Só não consigo postar por postar.