quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Minha tireóide.

Depois de uma longa ausência, cá estou.

Tantas coisas aconteceram!

Bom, no momento, encontro-me em casa, em repouso, após uma cirurgia de tireoidectomia total, em função de um nódulo cujo diagnóstico fora carcinoma papilífero.

Estranho, até então, nunca tinha ouvido falar nisso. Até que a coisa acontece com a gente. Do nada! De uma consulta de rotina. A sorte minha é que guardo todos os exames médicos e, quando fui à endócrino disposta a enfrentar mais uma dieta para emagrecer, acabei levando todos os exames que fiz há uns 12 anos atrás, quando tive tireoidite de Hashimoto. Alguns médicos pecam pela omissão. Mas eu também pequei pela não curiosidade. À época, se eu soubesse que esse diagnóstico me levaria ao hipotireoidismo e a esse câncer, teria me cuidado mais, teria feito exames periódicos.

Enfim, mas já foi. O nódulo era pequeno: 0,5cm. Mas era carcinoma mesmo.

Agora estou tendo que enfrentar a falta de hormônios para repor o que está faltando por causa da tireoidectomia pois ainda terei que enfrentar uma dieta pobre em iodo para poder passar por outro exame: PCI (exame de corpo inteiro para saber se sobrou alguma célula cancerosa). Se não, vida normal. Se sim, ainda terei radioiodoterapia.

Bom, deixa eu sofrer só um pouquinho de cada vez.

Estranho, quando me internei, tudo me amedrontava. Desde o enfermeiro me levando na maca, da enfermeira me dando um comprimido para me amortecer, do anestesista me escarneando pela minha dor da agulhada (esse gosta da coisa viu?), do momento em que apaguei e no outro em que já acordei na sala de recuperação sentindo uma dor terrível na garganta e uma dor de cabeça chata. Fiquei reclamando e me deram mais entorpecentes, eu acho. Pois voltei a dormir. E quando acordei, a máquina apitava e apitava. Como era uma sala coletiva, achava que eram de outros pacientes. Mas não, era por minha causa que estava apitando. E as enfermeiras berrando para que eu respirasse mais fundo porque o oxigênio não estava chegando e eu quase nem respirava mas não sentia nada, absolutamente nada. Até que decidiram enfiar o cateter no nariz. Argh! Não adiantou eu protestar.

De volta ao quarto, pedi para deixarem eu ir ao banheiro antes de me conectarem àquele monte de sacos de soro. Foram categóricas: não. Que eu teria que usar comadre. Aí foi o fim. Eu implorei: por favoooorrrr, nããããão. Elas se sensibilizaram e me seguraram pois acharam que eu ia cair por causa da anestesia.Mas me deixaram ir ao toilete .... ah bão!

Já bastava aquela roupa sem nada por baixo que me deixou exposta! Ainda bem que a vergonha que passei foi inconsciente. Não faço a mínima idéia de quanto tempo levou a cirurgia e nem quem me cortou.

Como é bom a gente ter um convênio decente. Fico pensando que, todos mas todos mesmo, deveriam ter direito a esse tratamento digno que tive no hospital e mesmo no laboratório Fleury (o melhor que eu conheci).

Quase tive uma crise de riso quando me trouxeram o que comer: torradas? biscoito? como? mal conseguia engolir água! Mas acho que aquele soro deve ser mágico pois não senti fome em nenhum momento.

Pois é! Esta foi a minha aventura num hospital. Minha primeira internação. Minha primeira grande cirurgia.